segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Novo ano ajuda executivos a refletir sobre suas escolhas

Por Vicky Bloch
'Quem teve a ideia de cortar o tempo em fatias, a que se deu o nome de ano, foi um indivíduo genial. Industrializou a esperança, fazendo-a funcionar no limite da exaustão. Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos. Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez, com outro número e outra vontade de acreditar que daqui pra diante vai ser diferente.'
Esse texto de autoria desconhecida, erroneamente atribuído a Carlos Drummond de Andrade e que sempre vem à tona nesta época, retrata com impressionante e delicada exatidão a renovação que acontece a cada virada de ano.
Tal necessidade de mudança e de recarga de energias me lembra a história cada vez mais comum de profissionais que estabelecem um limite para recomeçar, como se criassem o seu próprio 1º de janeiro. Executivos e gestores que decidem encerrar um ciclo profissional partem para uma nova etapa da vida e tomam decisões que exigem uma grande dose de coragem.
Esse efeito das resoluções de ano novo se intensifica em alguns períodos da nossa vida, em especial nas idades "redondas" como os 40, 50 ou 60 anos. São momentos marcantes em que costumamos refletir sobre tudo, como trabalho, casamento e família.
Quando a maturidade chega à nossa porta e fazemos tais retrospectivas, muitas vezes achamos que estamos devendo em algum desses papéis (ou em mais de um deles) - e daí a necessidade de promover reviravoltas para tentar repor o que falta. Ou, ainda, a pessoa olha para o futuro com a sensação de que tem pouco tempo pela frente para fazer "o que sempre quis fazer na vida".
São períodos de grandes provocações, que evocam uma real mística do tempo. As paradas são extremamente saudáveis e, na verdade, deveriam ocorrer com maior frequência.
Alguns profissionais ainda promovem a ruptura movidos pela emoção do momento - pedem demissão após um desentendimento no trabalho ou motivados por aquela típica depressão pós-férias, por exemplo. Essas rupturas sem planejamento levam as pessoas muitas vezes a tomar decisões de próximos passos sem conexão com seu projeto (às vezes inexistente), com sua experiência ou mesmo com sua capacidade de entrega.
Mas, cada vez mais, tenho visto executivos de alto nível entrando em um novo ciclo de vida profissional de forma planejada e bastante calculada. Isso se deve a uma consciência maior sobre a importância de se ter um projeto de vida.
Quando tomamos decisões importantes, como deixar um emprego ou sair de um negócio para recomeçar na carreira, é preciso tomar cuidado para não cair na armadilha do sonho idealizado. Claro que uma dose de sonho é fundamental para olharmos adiante, mas é preciso ter clareza sobre o que nos leva a fazer uma escolha que causará grande impacto na nossa vida profissional e também na pessoal.
Os motivos que levam a essas rupturas são variados. Alguns apenas se sentem infelizes com o que fazem hoje. Outros já sabiam há muito tempo que gostariam de trilhar um caminho diferente, mas não puderam fazê-lo até agora porque faltou coragem, patrimônio ou experiência.
Há ainda aqueles que estão apenas cansados e estressados, e aqueles que chegaram ao momento de sair da rotina organizacional (a chamada aposentadoria). O importante é saber quais são as suas motivações. Existe uma grande diferença entre realizar uma mudança olhando para o futuro ou apenas mudar para livrar-se do passado.
Para ter maior clareza do impacto e das possibilidades de qualquer ruptura, uma atitude prudente é ouvir outras pessoas. Podem ser profissionais como um coach, um mentor ou até mesmo o terapeuta, ou contatos pessoais, como uma companheira (ou companheiro) ou o melhor amigo. O fato é que interlocutores escolhidos com critério podem nos fazer enxergar sob novos ângulos - inclusive o de questionar o passo e o momento adequados.
Também vale a pena conversar com profissionais que já passaram por uma experiência semelhante. Como cada um tem sua história, seus erros e seus acertos, quanto mais experiências diferentes forem ouvidas, maior o repertório para a tomada de decisão.
Isso não significa que, mesmo com todas as reflexões possíveis, você não possa ter inseguranças ou incertezas. Mas lembro que, quanto mais consciente for a sua escolha, maiores as chances de que a transição para o seu próprio "ano novo" ocorra de uma forma mais equilibrada e bem-sucedida.
Vicky Bloch é professora da FGV, do MBA de recursos humanos da FIA e fundadora da Vicky Bloch Associados


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