quinta-feira, 18 de outubro de 2012

As primeiras sensações

Lembra do que você sentia quando tudo começou?

IVAN MARTINS

Faça o teste: as coisas que você se lembra de uma paixão antiga são aquelas que aconteceram no começo. Primeiras conversas, primeiro sexo, primeira viagem, primeira vez na casa da família. Se você for mulher, talvez se lembre de sensações, mais que de eventos: a expectativa, as surpresas, o prazer de conquistar e ser conquistada. Por alguma razão, esses momentos inaugurais ficam gravados na memória como uma espécie de trauma feliz. Eles se tornam a nossa referência, uma régua existencial contra a qual comparamos o que vem depois: maior, igual, melhor, diferente, pelo-amor-de-Deus!

Para o nosso azar, a régua continua medindo depois que nos metemos numa relação estável. Acasalados, nós temos amor, cumplicidade, transamos de forma intensa e regular. Nada, rigorosamente, nos faz falta. Mas a memória, como um farol oceânico quebrado, segue mandando flashes periódicos sobre os velhos tempos – e nós, miseravelmente, somos obrigados a admitir que aquela intensidade nos faz falta.
Gostaríamos, se isso fosse possível, de estar lá e cá ao mesmo tempo. Ter a paz profunda e protetora de agora, com as emoções aceleradas de então. Ter o gozo profundo e a segurança da intimidade conquistada, mantendo a surpresa e o arrebatamento do sexo inicial. No mundo ideal, a mulher amada e familiar, cuja presença faz nosso coração bater tranquilo, nos chamaria, no meio da noite, com uma voz estranha – e se abriria, magicamente, a possibilidade de transar com uma desconhecida. 

Como o mundo ideal e a magia não existem, somos forçados a lidar com a realidade. Nela, temos de escolher, todos os dias, entre aquelas emoções iniciais e as outras, muito mais serenas, que nem sequer parecem emoções. Pense nisso: a gente se acostuma de tal forma ao conforto de uma relação estável que ela parece despida de sentimentos. O carinho e o afeto de tão presentes na rotina se tornam invisíveis. A gente só enxerga brigas, frustrações, irritações comezinhas. Qual o valor daquele abraço no meio da noite, que parece reparar alguma coisa que estivera quebrada ao longo do dia? Qual a importância daquele olhar de despedida matinal, que parece conter, simultaneamente, tantas mensagens de reafirmação? Quando a gente perde essas coisas, quando briga e fica sozinho, a importância da rede invisível se revela de forma instantânea. A alma nos cai aos pés, como dizem os espanhóis. Daí a dor inexplicável de quem achava que nada tinha a perder...

Não é bom subestimar o poder de sedução das primeiras emoções. Para muitos, - sobretudo aqueles com grande capacidade de seduzir -, as sensações iniciais são uma espécie de vício. Como uma droga, mesmo. A pessoa precisa da trepidação para sentir-se viva. Tem necessidade do estado de exaltação amoroso para estar bem. O resto, o que vem depois, o momento em que o rio se espraia, manso, depois da corredeira – isso não tem graça. Então é preciso estar sempre correndo atrás da novidade, da primeira vez, da empolgação e da descoberta. É um jeito de viver – acreditando que a próxima relação, essa sim, trará a paz que se andou buscando a vida inteira.
No livro Como pensar mais sobre sexo, que eu li outro dia e adorei, o filósofo Alain de Botton diz que a gente rotineiramente deseja coisas demais, contraditórias entre si. Depois de tentar sem muito sucesso sugerir fórmulas para superar a fadiga emocional dos namoros e casamentos prolongados, ele acaba concluindo que, no fundo, todos nós temos de fazer escolhas difíceis. Ou bem se vive como um adolescente cheio de tesão enquanto der, ou bem se abre mão de um punhado de coisas e tenta se construir relações duradouras e família, enquanto der. Sim, porque a vida e a biologia não vão parar, esperando que a gente se decida. O tempo avança e atropela as nossas hesitações.

Da minha parte, eu tento fazer força para não tomar como um fato da vida aquilo que eu tenho todos os dias. Tento lembrar que aquela criatura ali ao lado poderia estar em outro lugar, com outra pessoa, em vez de estar aqui, me mimando com o seu carinho e a sua zelosa atenção. Pensar essas coisas dá alguma insegurança, mas ela é boa. Ela ajuda a lembrar da importância do que a gente tem. Obriga a agir com mais atenção, com mais paciência, com mais delicadeza até no trato com a parceira. Com sorte, esse estado de alerta ajuda a fazer coisas que surpreendam e encantem. Propicia gestos que alimentem a paixão. Não como no começo, não exatamente como no tempo em que o amor era novo, mas o suficiente para lembrar que ele existe. Aqui e agora, não apenas no passado.
(Ivan Martins escreve às quartas-feiras)

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Mineiros são campeões em migração no Brasil

Os mineiros podem ser considerados o povo recordista em migração no País. De acordo com o estudo do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), Censo Demográfico 2010- Nupcialidade, Fecundidade e Migração, divulgado nesta quarta-feira (17), os nascidos em Minas Gerais figuram no topo da lista de nômades, com 3,6 milhões das pessoas morando em outros Estados, número que representa aproximadamente 13% de sua população total. Os baianos aparecem em segundo lugar quando o assunto é deixar a terra natal, seguidos pelos paulistas e paranaenses. São Paulo se destaca como um dos destinos mais escolhidos pelos mineiros: a cidade já abriga 1,6 milhão deles.


Acostumado às idas e vindas dos últimos 15 anos, o administrador de obras Mauro Serpa guarda na bagagem a experiência de quem já viveu em quatro Estados: Amazonas, Rondônia, Espírito Santo e Maranhão. A profissão fez com que ele passasse pelos quatro cantos do País: Goiás, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Paraná, Pernambuco e Bahia são só alguns exemplos. Há quatro meses, ele retornou a Minas Gerais, para trabalhar em Contagem, na região metropolitana de Belo Horizonte. No entanto, já pensa em colocar o pé na estrada novamente. Ele reclama que os empresários da terra natal "só visam o lucro" e que falta valorização profissional.

— Minas Gerais precisa se modernizar e dar mais qualidade de vida aos trabalhadores, valorizar os empregados. O salário que eu ganho fora daqui é quase o triplo do que estou recebendo atualmente. Está muito abaixo do resto do Brasil.

A falta de oportunidade para a carreira também levou a publicitária Anna Flávia Horta a trocar Juiz de Fora, na Zona da Mata, há cerca de dois anos, pela capital paulista. Anna afirma que "não via possibilidade de começar" na cidade natal. Recém-formada, ela deixou tudo pra trás quando conseguiu um emprego na cidade do namorado.

— Sempre falei que sairia de lá, mas nunca considerei que fosse acontecer porque não via como. Depois que comecei a namorar e vi que teria um suporte, consegui levar adiante. Não penso em voltar para Minas, a não ser que tivesse a oportunidade da minha vida. Outro ponto que me motiva a ficar em São Paulo é que a cidade é culturalmente muito rica.

O engenheiro biomédico André Dias, nascido em Santa Rita do Sapucaí, no sul de Minas, reforça o argumento de que faltam avanços no mercado de trabalho do Estado. Há sete anos, ele deixou a cidade para fazer faculdade, e, desde então, não voltou mais. Ele afirma que "não há espaço" na área em que atua e, por isso, já passou por São Paulo e agora vive em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul.

-—Embora seja horrível ficar longe de casa, não tem nada na minha área no Estado. Sinto falta da família, dos amigos, da comida, mas para a minha carreira, não tinha jeito.

http://noticias.r7.com/minas-gerais/noticias/mineiros-sao-campeoes-em-migracao-no-brasil-20121017.html

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Bad week

Distraindo a verdade, enganando o coração

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Pique-nique na serra

Até que acordar cedo no domingo valeu a pena! Pique-nique na serra, conversas jogadas fora, Caca aprontando todas e "pescaria de girinos"

domingo, 14 de outubro de 2012

A criança que você era teria orgulho do que você é?


11/10/2012 | 11:31 | MARTHA MENDONÇA | FAMÍLIA |

 Acordei ontem e, como é de costume, dei uma olhada no Twitter, que, como dizem por aí, é minha fonte primária de informação. Entre notícias internacionais e ecos dos tuiteiros da madrugada, uma pergunta retuitada por um amigo me chamou a atenção:
A criança que você era teria orgulho do que você é hoje?
 
Não sei se foi o sono extremo – acordo antes das seis -, os balanços que tenho feito ultimamente ou simplesmente a força da pergunta, mas me peguei o dia todo pensando nisso.
 
A gente vai vivendo, vivendo, boa parte da vida numa correria danada, que mal dá tempo pra pensar na nossa linha do tempo. Essas conexões entre passado e presente ficam meio sem liga, soltas no ar. Parece que fomos vários. Mas a verdade é que fomos – somos – um só.
 
O fato é que não consigo lembrar bem o que a criança que eu fui pensava que seria no futuro. Acho que normalmente as pessoas almejam o básico: um lindo amor, uma casa bacana, uma profissão que nos faça feliz, amigos em volta. Se era isso que eu pensava, acho a criança que eu fui se orgulharia de mim hoje.
 
Saindo do básico, porém, será que a criança que eu fui talvez não pensasse em algo mais? Um incrível feito, um ato heroico, uma atitude que mudasse o mundo? Crianças são assim. Eu fui assim: na minha mente moravam muitos personagens, gente que dialogava comigo dia e noite, com quem eu compartilhava acontecimentos mágicos ou simplesmente corriqueiros. Tenho a impressão de que aquela menina jamais se imaginaria, no futuro, numa existência banal, por melhor que fosse.
 
Então era isso que eu pensava, o dia todo, enquanto procurava, na minha história, aquilo de que a menina se orgulhasse. Confesso que eu estava quase desistindo. Ter mergulhado com tubarões no Taiti ou voado de ultraleve sobre as dunas de Natal não se pareciam nada com o que eu creio que ela, a criança, tivesse em mente.
 
Mas, de repente, uma luz se acendeu. E eu descobri aquilo que faz a menina que eu fui se orgulhar de quem eu sou.
 
Lá no fundo (e muitas vezes nem tanto), eu nunca deixei de ser criança.

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

A vida com juros baixos


É hora de sair da poupança? De pegar dinheiro emprestado? De comprar aquele apartamento? Ou de torrar as economias? Um guia para se dar bem no novo país do juro baixo

JOSÉ FUCS, DANIELLA CORNACHIONE E NATHALIA PRATES
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Até pouco tempo atrás, se alguém falasse que o Brasil estava prestes a se tornar um país com juros civilizados, seria motivo de chacota. Dezoito anos após a implantação do Plano Real, que trouxe a estabilidade econômica, o Brasil parecia destinado a ser o eterno campeão mundial dos juros altos, um título jamais ameaçado por nenhum país nas últimas décadas – exceto, talvez, o Zimbábue, cuja inflação chegou a 231.000.000% em 2008. Mesmo com a inflação atual na faixa de 5,2% ao ano, o Brasil tem de conviver com taxas que passam de 400% em alguns cartões de crédito.
Agora, surgem sinais de que os juros também podem alcançar um patamar de Primeiro Mundo – ou, ao menos, semelhante ao de outros grandes países emergentes, como China, Índia e Rússia. Isso deverá trazer uma transformação profunda na vida dos indivíduos e das empresas. “É um ponto de inflexão na história brasileira”, diz o consultor e palestrante Stephen Kanitz. “Vai provocar uma tremenda mudança cultural no país.”
A queda dos juros é fruto de uma conjunção de fatores. O maior deles é a própria estabilidade. Sem ela, ainda estaríamos correndo para o supermercado no dia do pagamento do salário para comprar antes da remarcação dos preços. A atual crise global também deu sua contribuição para a virada. Com a desaceleração econômica, o Banco Central pôde promover seguidos cortes na taxa básica de juros, a Selic, usada como referência pelos bancos, sem risco de incentivar um aumento no consumo e alimentar reajustes de preços com impacto na inflação.
Hoje, a taxa básica está em 9% ao ano e, de acordo com a expectativa dos analistas, deverá baixar a 8,5% no final de maio, na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), o menor nível da história. Descontada a inflação, isso representará uma taxa real de 3,1% ao ano.
Se o corte alcançar 0,75 ponto, como apostam alguns, a taxa real cairia para 2,9% ao ano. E, considerando uma taxa Selic de 8% ao ano para 2012, como aponta o mercado futuro, e uma inflação projetada de 5,6% para os próximos 12 meses, como preveem os analistas, a taxa real cairia para 2,3% ao ano – muito perto dos 2% prometidos pela presidente Dilma Rousseff na campanha eleitoral de 2010. Há quem veja uma taxa básica na faixa de 6% ao ano no horizonte, como o banqueiro Luiz Cesar Fernandes, fundador do banco Pactual (hoje BTG Pactual) e presidente da Laep, a holding que controla a Parmalat e a Daslu.
Dilma iniciou uma controversa cruzada contra os juros altos cobrados pelos bancos e determinou ao Banco do Brasil e à Caixa Econômica Federal que reduzissem o custo do crédito. A iniciativa gerou um mal-estar com a Febraban, entidade que reúne os banqueiros do país, contornado com diplomacia depois de muito bate-boca pelos jornais. É certo que não se derrubam os juros no grito. É preciso mais que isso para chegar lá, como diminuir a tributação das instituições financeiras e os depósitos compulsórios recolhidos ao Banco Central sem nenhuma remuneração. Os resultados, porém, começaram a aparecer.
O último golpe foi mexer no rendimento da poupança. Pelas regras anteriores, seu rendimento espelhava a variação da Taxa Referencial (TR) mais 0,5% ao mês. Isso funcionava como um freio para uma queda maior da taxa de juro. Agora, os novos depósitos da poupança deixarão de ter ganho fixo sempre que a taxa for igual ou inferior a 8,5%. Nesse caso, eles serão corrigidos em 70% da variação da Selic no período de aplicação. Isso pode acontecer ainda neste mês, se as previsões se confirmarem.
As taxas do cheque especial, dos cartões de crédito e dos empréstimos já sofreram uma boa queda em quase todo o sistema financeiro. Ainda há espaço para novas reduções. Vários bancos privados não mexeram nos juros do crédito e talvez ainda levem algum tempo para fazê-lo. Mas ninguém duvida de que o Brasil está deixando para trás os tempos dos juros nas alturas.
A queda nas taxas está provocando mudanças em todos os investimentos. Aplicações que garantiam ganhos de 10% ou 12% ao ano recentemente sem correr praticamente nenhum risco agora estão perdendo fôlego. Quem quiser ganhar um pouco mais terá de se arriscar na Bolsa ou mesmo no mundo dos negócios.
Assustados com o novo cenário e a perspectiva de novos cortes, muitos investidores estão promovendo ajustes em seus portfólios de forma intempestiva, sem se dar conta das consequências de seus movimentos. “As pessoas terão de se aperfeiçoar em termos de educação financeira”, diz Osvaldo do Nascimento, diretor executivo de investimentos e de previdência do Itaú Unibanco. Mas não há razão para atropelos. “A adaptação tem de ser gradual, para que as pessoas não cometam equívocos.”
Com uma boa orientação, é possível tirar o melhor dessa nova era. “A queda dos juros deve abrir inúmeras possibilidades para a economia e para cada brasileiro”, afirma Joaquim Levy, presidente da Bram, empresa de gestão de recursos do Bradesco, e ex-secretário do Tesouro Nacional. Para ajudar a administrar seu patrimônio, ÉPOCA preparou um guia com tudo o que você precisa saber, das melhores opções de investimento à renegociação de dívidas.

Banco Central reduz a taxa básica de juros para 7,25%


A Selic sofreu novo corte nesta quarta-feira e chegou ao menor patamar da história

REDAÇÃO ÉPOCA COM AGÊNCIA BRASIL
Juro ao consumidor é o menor desde 1995 (Foto: Divulgação)
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) surpreendeu o mercado financeiro e diminuiu mais uma vez a taxa básica de juros (Selic) em 0,25 ponto percentual, chegando a 7,25%. Foi a décima reunião consecutiva em que o colegiado de diretores do BC optou pelo afrouxamento da política monetária, de modo a incentivar o crescimento da atividade econômica.
De agosto do ano passado, quando a taxa estava em 12,5% ao ano, a Selic perdeu 5,25 pontos percentuais até chegar aos atuais 7,25% - uma queda equivalente a 42% – e renovou pela, terceira vez, o patamar de juro básico mais baixo da história do Copom, criado em junho de 1996. A taxa entra em vigor nesta quinta-feira (11), com validade até a próxima reunião do Copom, em 28 de novembro. 
Estímulo ao crescimento industrial
A notícia foi recebida com otimismo por representantes da indústria brasileira. Em comunicado, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) diz que a retomada da atividade industrial  de forma sustentada depende de uma política firme de elevação da competitividade das empresas, na qual a redução na taxa de juros é um fator fundamental. Segundo a entidade, cortes na Selic são decisivos não só para o resultado do PIB em 2012, mas também para garantir o retorno do investimento privado no país. 
O presidente da Federação e do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp e Ciesp), Paulo Skaf, afirmou que o Banco Central acerta ao manter o processo de redução da Selic, em um cenário de economia mundial fraca, com baixo crescimento e incertezas. “Não é hora de mudar os sinais da política econômica, sob pena de abortar o processo de retomada e, em 2013, o país crescer menos que o mundo e que a América Latina, como ocorreu em 2011 e ocorre novamente em 2012”, disse em nota.