sábado, 19 de novembro de 2011

McDonald's esconde Big Mac na Argentina


LUCAS FERRAZ
DE BUENOS AIRES
O McDonald's está presente em 120 países, mas em pelo menos dois o Big Mac não é o carro-chefe da rede.
Na Índia, por causa da tradição hindu de não comer carne de vaca, foi criado o Maharaja Mac, de frango.
Na Argentina, o sanduíche virou produto de segunda e desapareceu da publicidade.
Não há nas lanchonetes de Buenos Aires propagandas do sanduíche. Ele foi deixado de lado pela linha Angus, cujo combo custa o dobro (40 pesos, ou R$ 17). No concorrente Burger King, o similar do Big Mac é o Whopper Doble. O combo é vendido por 37 pesos (cerca de R$ 15).
Segundo analistas, a suspeita é que a rede tenha desvalorizado o preço para atender às pressões do governo, que controla produtos para não impactar na inflação.
A rede nega "acordo de preços" e informa que os valores são "fixados segundo a estratégia de marketing".
O Indec (o IBGE argentino) não confirma, mas o Big Mac seria um dos itens consultados pelo instituto, sob a rubrica "consumo de sanduíches fora do lar", no cálculo da taxa oficial de inflação, suspeita de ser manipulada.
A Casa Rosada diz que o índice é de 9%, enquanto consultorias estimam em 25%.
"Essa é uma tentativa clara de ocultar o preço real. E há vários outros artigos que estão com o preço controlado", disse a consultora Graciela Bevacqua, do Buenos Aires City, instituto da Universidade de Buenos Aires.
Mario Quinteros/Clarín
Loja da rede McDonald´s em Buenos Aires, na Argentina
Loja da rede McDonald´s em Buenos Aires, na Argentina
Ex-diretora do Indec, Bevacqua disse que o valor do Big Mac sempre foi consultado para calcular a inflação.
Para economistas, um segundo motivo é sugerir uma paridade cambial com o dólar, que não existe há pelo menos uma década. De acordo com o índice Big Mac calculado pela "The Economist", o lanche argentino (US$ 4,84) vale quase o mesmo que o norte-americano (US$ 4,07).
A Secretaria de Comércio Interior, órgão responsável por acompanhar os preços, não quis se manifestar.

S&P eleva rating do Brasil e elogia atuação do BC


A agência de classificação de risco Standard and Poor’s elevou nesta quinta-feira a nota de crédito do Brasil em moeda estrangeira de BBB- para BBB e local de BBB+ para A-. A perspectiva é estável. A S&P avalia que a administração da presidente Dilma Rousseff demonstrou um comprometimento com as metas fiscais e aumentou o uso das ferramentas monetárias para influenciar a economia doméstica.


#Bode

O que fazer quando você sai do trabalho às 2130, numa sexta-feira, cansado, com fome e tá rolando uma mega festa na sua casa???

Bebe!

Kaiser: nova fórmula e novo logo

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Santa Clara clareou


Não perca de vista seu ponto de partida,
conserve o que você tem,
faça o que está fazendo e não o deixe
Mas, em rápida corrida,
com passo ligeiro e pé seguro,
de modo que seus passos nem recolham a poeira,
confiante e alegre,
avance com cuidado
pelo caminho da bem-aventurança.” 
- Santa Clara -

"Nunca perca de vista seu ponto de partida"

Essa frase sempre vem na minha cabeça. Quem disse foi Santa Clara, e sempre tinha um cartaz com ela escrita, na portaria do colégio.

Confesso que com o tempo eu comecei a entender essa frase. E é alí no colégio que eu busco minhas maiores e mais antigas referências. Hoje vejo como fui moldado na ótica clarissa franciscana do Regina Pacis. Meus valores, minha família, minhas experiências e meu crescimento estão intimamente associados ao colégio - ao meu ponto de partida.

Nesse fim de semana fizemos um encontro dos amigos daquela época. Amigos de 20, 15 anos. Pessoas que estiveram presentes em alguns momentos marcantes, algumas conquintas e várias experiências. O tempo passa, e a distância (tanto física, quanto também proporcionada pelas novas experiências, e pelos novos caminhos) acaba afastando uma parte das pessoas.

Mas é engraçado reparar como todos alí reúnem várias coisas em comum. Vários valores em comuns. No fundo, todos viemos do mesmo lugar, todos tivemos um grande e saudoso ponto de partida!

Marina, Sílvia, Rafael, Thammy, Aline, Eu, Matheus, Felipe e Renata.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Somos todos bregas


O antigo mau gosto musical virou convicção no Brasil

LUÍS ANTÔNIO GIRON
Enviar por e-mail
|
Imprimir
|
Comentários
Luís Antônio Giron Editor da seção Mente Aberta de ÉPOCA, escreve sobre os principais fatos do universo da literatura, do cinema e da TV (Foto: ÉPOCA)
Discos sempre foram para mim fontes de descoberta. Talvez o hábito de ouvi-los tenha ficadp fora de moda por causa da internet e da pirataria, mas nada se compara em nitidez sonora a um CD feito com plástico, alumínio e bits sonoros. Pois ontem escutei dois discos de duas cantoras representantes de faixas de público aparentemente diversas que me ajudaram a refletir sobre a atual situação da música popular brasileira: O que você quer saber de verdade (EMI), da cult MPB carioca Marisa Monte, e Ao Vivo(Universal), da mineira e sertaneja Paula Fernandes. 
Há dez anos, para não ir muito longe, minha experiência sonora seria considerada abstrusa, pois obviamente duas artistas de registros tão diferentes iriam apenas mostrar a multiplicidade da música brasileira – e reafirmariam minhas convicções em relação àquilo que é refinamento e singeleza. Marisa, representante da alta cultura; Paula, das camadas populares. Mas minha experiência não se deu assim. Antes pelo contrário: o que eu ouvi nos dois discos são cantoras quase idênticas, entoando baladas românticas muito simples, acompanhadas por instrumentos acústicos, repletas de uma versalhada tida antes por piegas, tresmolhados de bons sentimentos e mensagens de amor nada discretas. Ambas seriam chamadas de bregas no Brasil Velho. Nos anos 60 e 70, a música romântica influenciada pelo bolero, a modinha e a toada caipira era considerada um produto barato, para uso do povão. Nos 80, bandas da vanguarda paulistana e cantores como Eduardo Dussek exploraram a verve paródica, meio que esnobando o brega, mas lucrando com o gênero. Depois da apreensão ingênua e da paródica, as pessoas assumiram o gênero com pungente fé. Hoje o brega é a convicção de um povo. Ele se consagrou. Marisa e Paula, duas grandes artistas vocais brasileiras, assumem com serenidade o novo bom gosto. Uma prova de que o brega se converteu em cult –e vice-versa. 
Paula Fernandes e Marisa Monte (Foto: Tomas Rangel / Editora Globo e Dora Jobim)
O cult está brega. Isso quer dizer que o cidadão brasileiro cool e descolado se vale de todo tipo de referências para compor a sua roupa, seu modo de agir e seu imaginário. Esse novo comportamento reflete a mudança demográfica do país, com a ascensão das classes C e D. Essas camadas se tornaram importantes e terminam por impor seu gosto, seus hábitos e costumes ao restante da sociedade de consumo. A gente vê isso na novela Fina Estampa, da TV Globo, de Aguinaldo Silva. Ela relata a ascensão social da pobretona Griselda (Lília Cabral), que de quebra-galho se torna empresária. A novela não maquia a luta de classes, e mostra o conflito entre a emergente Griselda e a socialite Maria Teresa (Cristiane Torloni). Baseado em pesquisas, o autor faz um retrato realista de como a mulher brasileira se tornou chefe de família, está galgando posições – e, no universo da cultura, obriga a turma do narizinho empinado a prestar atenção no que ela gosta, no que ela sente, pensa e consome. Esse “ovo Brasil” é uma realidade insofismável. É preciso considerá-la e respeitá-la. Os novos-ricos e os novos-classe-média vieram para ficar e se mostrar, para horror das marias-teresas da vida.
 
Além da novela, o cinema brasileiro tem explorado, de uns cinco aos para cá, o universo da nova classe média: são favelas que enriquecem com o tráfico e o tráfico que domina os “bem-nascidos”(Tropa de Elite 1 e 2Meu nome não é Johhny), mulheres que lutam para sobreviver sem preconceito (O céu de Suely,Bruna SurfistinhaDe pernas para o ar), formas de arte em extinção que insistem em se manter vivas (O palhaçoSuprema Felicidade), personagens que questionam a identidade e os tabus sexuais (Se eu fosse você 1 e 2). É um novo mundo que se descortina, e talvez não se coadune com aquela ilha da fantasia sonhada pelos estetas, que hoje só sabem admirar o cinema classe-média-bonitinha da Argentina. Infelizmente (eu diria felizmente), o Brasil não é a Argentina. O Brasil se mostra muito mais rico e variado em termos demográficos e, por isso, culturais. Se é cultura “inferior” nos padrões europeus, paciência.
Os gostos, os hábitos, os amores e os ventos mudam, já dizia o poeta seiscentista Luís de Camões. Até a novidade sofre tantas e tamanhas metamorfoses em sua estrutura que chega o dia em que as coisas mais antigas, descartáveis e antes desprezíveis viram artigo de luxo. Experimentamos hoje o choque do velho, em contraposição ao que preconizavam as vanguardas artísticas até os anos 1920. No terreno da música cultura de massa, o processo se acelera ainda mais. Não apenas velhos paradigmas voltam à tona – trata-se de uma forma de reciclagem rápida dos produtos culturais – como também os usos e costumes de classes sociais antes antagônicas começam a interagir e a se fundir de forma irreversível, alterando o que se pensa sobre o mundo e como se consome arte, entre outras coisas.
 
Capas dos CDs de Paula Fernandes e Marisa Monte (Foto: Divulgação)
Mas voltemos à música, que sempre foi a antena das tendências por aqui, e, apesar de viver momentos não muito brilhantes, continua a ser uma arena de mudanças. O que tem acontecido na música brasileira é uma quebra de paradigma. Caiu a hegemonia do eixo Rio-São Paulo. A música axé da Bahia tomou conta do país inteiro, e gerou estrelas como Ivete Sangalo, Claudia Leitte e Carlinhos Brown. O interior invadiu as capitais, e surgiu o forró universitário e, mais recentemente, o sertanejo universitário. O funk se fundiu com o samba e a MPB. E vieram para baixo os sons amazônicos. ÉPOCA publicou recentemente uma reportagem intitulada “E o brega virou cult”, de Mariana Shirai, sobre o gênero tecnobrega paraense e sua influência no movimento Avalanche Tropical, que congrega bandas e DJs bregas do país inteiro. Dessa enxurrada fazem parte a cantora Gaby Amarantos, Garotas Suecas e a Banda Uó.
O que as vertentes do pós-bom gosto ensinam? Em primeiro lugar, que é inútil ter preconceitos musicais, porque ela é invasiva mesmo, capaz que é de se apossar de sua alma. Em segundo, que aquilo que é considerado de mau-gosto na verdade ajuda a enriquecer a imaginação. Em terceiro, que nada é fixo no mundo, e nada mais dinâmico e pervasivo que o som. Quarto, torna-se urgente reavaliar nossas próprias crenças artísticas.
Por isso, finalmente o “populacho” e os “caipiras” invadiram os salões. Na nova geopolítica sonora do Brasil, podemos ouvir os ecos do brega na voz de Marisa Monte, e traços de erudição na de Paula Fernandes. Junte as duas e o resultado será parecido com Vanessa da Mata, uma acoplagem do sertanejo e do alto pop dançante. Junte a duas e você ouve a volta ainda não anunciada de Zezé di Camargo & Luciano. Você vai entender nas entrelinhas o tecnobrega, a axé. Junte-as em uma audição e você comporá o seu rosto. O Brasil joga na nossa cara quem e como somos de fato. Querendo ou não, se fazendo de culto ou nem tanto, você é brega, meu velho.
 

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Número de matriculados no ensino superior sobe 110% em 10 anos


DE SÃO PAULO
DE BRASÍLIA
O número de alunos matriculados em cursos de graduação no país aumentou 7% no ano passado em relação a 2009. Segundo a edição 2010 do Censo da Educação Superior, divulgado nesta segunda-feira pelo Ministério da Educação, o Brasil atingiu 6,3 milhões de matrículas em 29,5 mil cursos oferecidos por 2.377 instituições.
Considerando toda a última década, de 2001 a 2010, o crescimento no número de matrículas foi de 110%.
"O resultado é positivo e prenuncia o cumprimento das metas estabelecidas para 2010. Houve aumento na matrículas em todo o país e também na qualificação dos docentes, portanto há mais pessoas estudante com mais qualidade", disse o ministro Fernando Haddad.
"Talvez tenha sido a melhor década de acesso à educação superior, tanto em termos relativos como em absolutos --mas sobretudo em absolutos."
Número de matrículas em cursos de graduação
AnoTotalPúblicasPrivadas%
Total%Federal%Estadual%Municipal%
20013.036.113944.58431,1504.79716,6360.53711,979.2502,62.091.52968,9
20023.520.6271.085.97730,8543.59815,4437.92712,4104.45232.434.65069,2
20033.936.9331.176.17429,9583.63314,8465.97811,8126.5633,22.760.75970,1
20044.223.3441.214.31728,8592.70514489.52911,6132.0833,13.009.02771,2
20054.567.7981.246.70427,3595.32713514.72611,3136.65133.321.09472,7
20064.883.8521.251.36525,6607.18012,4502.82610,3141.3592,93.632.48774,4
20075.250.1471.335.17725,4641.09412,2550.08910,5143.9942,73.914.97074,6
20085.808.0171.552.95326,7698.31912710.17512,2144.4592,54.255.06473,3
20095.954.0211.523.86425,6839.39714,1566.2049,5118.26324.430.15774,4
20106.379.2991.643.29825,8938.65614,7601.1129,4103.5301,64.736.00174,2
Fonte: Censo da Educação Superior 2010/MEC
Segundo o ministério, um dos fatores que explicam o crescimento é o aumento da oferta de cursos à distância e tecnológicos --a modalidade à distância representou 15% do total em 2010.
Haddad disse que o ritmo de crescimento do ensino à distância só não foi mais forte porque o MEC controlou a alta. "O EAD [ensino à distância] só não cresce mais em função do MEC. O MEC está ditando o ritmo de crescimento do EAD para não ter o efeito da educação presencial. Não queremos que aconteça com a EAD aquilo que aconteceu nos anos 1990 com a educação presencial --crescer descontrolado e com qualidade inferior".
O Censo também detectou que o percentual de matrículas das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste aumentou de 2001 para 2010, em contrapartida ao decréscimo da participação das regiões Sudeste e Sul no total.
Os alunos de graduação também estão mais jovens e preferem estudar à noite.
Em 2010, a média de idade dos alunos dos cursos presenciais foi de 26 anos. Já nos cursos a distância, a média é de 33 anos. Entre 2000 e 2010, as matrículas presenciais noturnas passam de 56% para 63% do total. Considerando apenas as instituições privadas, as matrículas noturnas corresponderam a 73% em 2010.
As mulheres são maioria entre os alunos. No ano passado, 57% das matrículas foram feitas por mulheres, índice que sobe para 61% considerando apenas os alunos no último ano do curso.
"Há uma fronteira a ser explorada. Brasileiros entre 30 e 40 anos que querem voltar a estudar, mas nesse momento estamos mais preocupados com a qualidade do que com a questão quantitativa."
CONCLUINTES
Em relação aos alunos concluintes, o Censo aponta que o crescimento não acompanhou o número de matriculados --ou seja, menos alunos conseguiram terminar os cursos.
Os resultados indicam que praticamente não houve aumento de 2009 para 2010, ano em que foi atingido o número recorde de 973 mil concluintes.
Sobre o ritmo de crescimento menor entre os concluintes, Haddad disse que houve uma mudança de metodologia no ano de 2009, o que superdimensionou os dados naquele ano, e por isso o crescimento verificado entre os dois anos foi menor:
"Peço para desconsiderarem o ano de 2009. Houve uma metodologia que foi introduzida e depois revista." Segundo o ministério, a metodologia usada em 2009 incluía a categoria "provável formando" para classificar os alunos, o que inflacionou os resultados. A categoria deixou de existir em 2010.