quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

ê Beagá

Advogado tem carro concretado na calçada após desentendimento com construtores


Advogado tem carro concretado na calçada após desentendimento com construtoresO caso inusitado ocorreu na Avenida Barão Homem de Melo, 877, no Nova Granada, Oeste de Belo Horizonte

Publicação: 12/12/2013 06:00 Atualização: 12/12/2013 07:04

 (Beto Magalhães/EM/D.A Press)

Uma caminhonete cimentada sobre a calçada. O que poderia ser interpretada como uma instalação artística na verdade revela um desentendimento entre um advogado e os construtores de um prédio na Avenida Barão Homem de Melo, 877, no Nova Granada, Oeste de Belo Horizonte.
O advogado Márcio Drumond, responsável pela Saveiro placa GDS-0291, garante que parou seu veículo há cinco meses no que seria o complemento da Rua Sebastião de Barros, na esquina da Barão Homem de Melo. Segundo ele, a empresa que faz a obra foi que avançou a via pública, onde o veículo estava estacionado. Um funcionário do posto de combustíveis vizinho disse que a caminhonete foi concretada na manhã da segunda-feira.

A BHTrans, por meio de nota, informou que no dia 22 recebeu reclamação de que vários veículos estavam estacionados sobre a calçada da avenida, o que não foi constatado na ocasião. No prédio não foram encontradas placas com dados dos responsáveis pela obra e o vigia não atendeu à campainha para informar quem são seus patrões.

A desolação de Peter Jackson

LUÍS ANTÔNIO GIRON
12/12/2013 08h57

Se você não viu O hobbit – a desolação de Smaug, não sabe o que está ganhando. A segunda parte da trilogia baseada no breve romance infantojuvenil O hobbit (1936), do escritor inglês de J.R.R. Tolkien, pode ser descrita como uma enrolação. O diretor neozelandês Peter Jackson tenta transformar uma lagartixa em um dragão, alongando e acrescentando episódios e personagens secundários até não poder mais. Tudo para fazer jus ao projeto de trilogia que deve render ao final US$ 3 bilhões. É compreensível, embora imperdoável, que Jackson busque o lucro acima de tudo e converta o seu talento em valor de troca inútil. Em O hobbit – a desolação de Smaug, nunca tantos efeitos especiais foram usados para tamanha ausência de conteúdo.
Jackson armou uma armadilha para si próprio. Ele colaborou para a atual epidemia de trilogias. Dirigiu a trilogia O senhor dos anéis, lançada em 2001 e 2003, uma magnífica reconstrução dos romances épicos adultos e alegóricos de Tolkien. Como a trilogia fez sucesso e sua bilheteria mundial atingiu US$ 1,2 bilhão, ficou estigmatizado por ela. Dirigiu e produziu outros filmes sem os mesmos resultados financeiros. Ele só voltaria a triunfar se dirigisse outra trilogia sobre O hobbit, mesmo que este livro não fornecesse material suficiente para esse tipo de filme.
Tolkien escreveu o livro para o público jovem, mas bem mais jovem que o público jovem nerd de Jackson. A trama pode ser contada em 257 caracteres com espaços: O mago Gandalf e o hobbit Bilbo Bolseiro ajudam a tribo dos anões a recuperar o palácio e os tesouros neles contido que foram roubados pelo dragão Smaug. Entre o início e o fim exitoso da jornada, encontram monstros, elfos e outros animaizinhos da floresta.
O desafio de Jackson foi fazer dessa fábula pueril um épico bombástico. Operou então a produção como se fizesse um trabalho de engenharia reversa e retrógrada. Tentou aplicar a atmosfera e a alegoria de O senhor dos anéis, livro posterior (foi publicado entre 1954 e 1955) e verdadeiramente épico, à carochinha de O hobbit. Sim, de alguma forma O hobbit cumpre a função de prólogo a O senhor dos anéis. De jeito nenhum funciona como uma “prequela” hollywoodiana nos moldes atuais.
Mas Jackson precisava forçar a operação. Para isso, atou a história a uma espécie de roda de tortura e espichou-a até estraçalhá-la e torná-la inconsistente. Enxertou personagens – como a elfa silvestre Tauriel – e algumas aventuras secundárias, dando aos Orcs algumas cenas que vão para os anais da paródia. Como se não bastasse, o diretor cometeu um ato ainda mais grave: alterou a própria essência de alguns personagens, a fim de injetar neles uma função simbólica mais grandiosa.
Vou me restringir a dois casos, os que se referem ao papel simbólico do Smaug e dos anões. Ele converteu o dragão em um personagem ridículo e tagarela (dublado pelo ator inglês Benedict Cumberbatch) que entabula uma conversação quase interminável com Bilbo (Martin Freeman) nos salões do tesouro do palácio da Montanha Solitária usurpado aos anões. O dragão para Tolkien pode ser interpretado simplesmente como a imagem da cobiça cega, pois guarda um tesouro (em especial a Pedra Arken, símbolo do poder dos anões) que não consegue usar. Tolkien pretendia assustar seus pequenos leitores com esse símbolo. O Smaug de Jackson, porém, é uma deturpação, tornou-se uma espécie de Falstaff fanfarrão que põe tudo a perder de tanto contar vantagens. Smaug não mete medo nem em crianças de 7 anos.
Quanto aos 13 anões (poupe-me o leitor de citar o nome de cada um deles), eles eram para Tolkien uma turma de injustiçados divertidos, que buscam restituir seu direito à propriedade do tesouro e, portanto, do reino que fundaram. Sabe-se lá por que razão, Jackson achou interessante associar os anões às 12 (ou 13, para alguns) tribos de Israel. Os anões passam a compor a metáfora do reino perdido e do êxodo dos judeus. A montanha solitária torna-se o templo de Salomão e a Pedra Arken, a Arca da União. Bilbo é o católico de bom coração que colabora com seus irmãos mais velhos judeus para lhes resgatar a majestade. O problema é que, nesse processo de metamorfose levado pelo diretor, os anões se tornam caricaturas. Eles assumem várias modalidades de visões preconceituosas e estereotipadas sobre os judeus: são comerciantes mesquinhos, obcecados pelo reino perdido e a terra prometida, análoga à Montanha solitária, amam o ouro acima de tudo, usam tranças e ostentam narizes aduncos. São também sábios, espertos e bondosos. E sofrem com o holocausto de seus parentes, quando tentavam fugir do ataque final de Smaug. Peter Jackson é um nerd compassivo e deve ter incorrido inconscientemente nesses lugares-comuns irritantes. De certo modo, ele subestima a inteligência do espectador e do próprio Tolkien, um admirador das tradições simbólicas do judaísmo.
O balanço da segunda parte da “saga” O hobbit é nulo: nada acontece de fato no filme. Trata-se apenas de um eixo que une a jornada dos anões e o desenlace que, parece, ocorrerá na terceira parte -   The Hobbit: There and Back Again, ainda sem título em português – a estrear em 17 de dezembro de 2014. O público, desolado, aguarda ansiosamente para descobrir aquilo que já sabe.
Por que o público necessita de trilogias ou tetralogias eu não sei. Talvez seja porque seu comportamento de consumo necessite de estímulos de ganchos para continuar a ler ou ver séries e filmes. O espectador do século XXI é tratado como um viciado em drogas culturais. E talvez ele seja isso mesmo.
Luís Antônio Giron escreve às quintas-feiras

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Keskara

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

O ex-babaca

IVAN MARTINS
11/12/2013 10h09 - Atualizado em 11/12/2013 10h57

O mundo como era antes está encolhendo. Onde eu vivo, você levanta de manhã, vai à padaria, e dois garotos trocam um selinho no balcão à sua frente, às 8 horas da manhã. Ou você vai à festa de aniversário de uma amiga e ela apresenta a todos a namorada dela. Não é mais uma tremenda exceção.

Diante dessas novidades, que estão por toda parte, nós somos convidados a escolher diariamente. Podemos rejeitar como coisa imoral ou anormal, ou podemos aceitar e abraçar, como parte de uma existência mais livre para todos.

Não se trata de uma escolha trivial.

Rejeitar casais gays significa recusar alternativas às formas de relacionamento tradicionais. Isso quer dizer que a maioria das pessoas poderá viver seus amores e suas paixões à luz do dia, nas ruas, diante da família e dos amigos, e que um grupo menor – mas, ainda assim, enorme de pessoas – terá de manter relações clandestinas, como se fossem criminosas, sujeitas aos riscos e tristezas de uma existência invisível, à margem da sociedade.

No fundo, temos de decidir, intimamente, se as pessoas que sentem diferente de nós têm direito a serem felizes como nós. O mundo ao nosso redor já tomou essa decisão faz algum tempo, na forma de leis e costumes cada vez mais liberais, que permitem às pessoas viverem como quiserem. Mas isso não muda o fato de que cada um de nós tem de decidir, sozinho ou sozinha, como se sente diante dessa nova realidade.
Ontem, ao pensar sobre isso, me lembrei do Nelson Rodrigues.
Ele escreveu, provavelmente no final dos anos 60, uma crônica famosa sobre escolhas morais. Chama-se O ex-covarde. Nela, denuncia a pressão intelectual dos grupos de esquerda que, naquela época de resistência ao golpe militar, eram muito influentes entre os jovens e os intelectuais. Nelson esbraveja pelo seu direito de ser reacionário e anticomunista, de pensar contra a maré. Diz que aos 50 e tantos anos, depois de muito sofrer, perdeu o medo dos jovens e dos comunistas. Por isso pode mandá-los às favas, porque é um ex-covarde.
Ao reler esse texto famoso, ontem à noite, eu me senti, por analogia, um ex-babaca.

Aos 53 anos, me sinto, finalmente, parte do movimento que abraça a mudança. Os jovens gays me provocam simpatia equivalente à antipatia de Nelson pelos jovens comunistas. As opiniões e o comportamento se movem numa direção que eu, de modo geral, aprovo. Vão ficando para trás as barreiras emocionais que me impediam de conviver com naturalidade com casais de mulheres ou de homens. As escolhas sexuais ou afetivas dos outros não mais me incomodam, ao menos de uma forma que eu perceba. Por isso é possível respeitá-las. Acho essa uma grande conquista pessoal, e por isso me sinto um ex-babaca.

Ao contrário de mim, muita gente, continua carregando sentimentos dúbios sobre as relações homossexuais. Elas não se sentem à vontade para criticar abertamente, mas, quando têm a chance, emitem opiniões negativas sobre o assunto.
Outro dia, fiz na ÉPOCA uma reportagem com Daniela Mercury e a mulher dela, Malu Verçosa, e fiquei espantado com os comentários que as pessoas deixaram no site. De nove comentários, apenas um era positivo. Não havia nada grosseiro ou agressivo, mas o tom geral era de ironia e condescendência. “Cada um no seu quadrado, só não venham dizer que é normal”, dizia um deles. Se não é normal duas mulheres se gostarem seria o quê – doença?

Nelson Rodrigues morreu em 1980, aos 68 anos. Se ainda estivesse vivo, talvez produzisse textos virulentos (e tremendamente bem escritos) contra os casais homossexuais, notórios e anônimos. Ele era, afinal, um conservador brilhante – que estaria errado.

Uma coisa é opor-se a ideologias políticas que têm o poder de interferir com a vida pública, como o socialismo ou neoliberalismo. Outra coisa é atacar as escolhas privadas das pessoas. Se elas vão se casar com homens ou com mulheres é problema delas. Essa é uma medida universal de civilidade. Quem se insurge contra o “politicamente correto”, achando que tem direito de dizer o que quer sobre a vida dos outros, em geral exibe seus preconceitos. O mundo com sete bilhões de seres humanos precisa de ideias melhores. Tolerância. Compreensão. Empatia. Com elas, é possível dar bom dia aos rapazes que namoram na padaria sem se sentir agredido. Ou abraçar, contente, a amiga que comemora seu aniversário com a namorada. O melhor jeito de ser feliz é permitindo que os outros também sejam.

(Ivan Martins escreve às quartas-feiras)

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Vovó sem vergonha

Keles filme ruim que eu invento


sábado, 7 de dezembro de 2013

Feios cumborra

Nada como o passar dos tempos!!!