segunda-feira, 6 de agosto de 2012

O lado B do emprego no Brasil


Araçoiaba (PE) e RIO - No mesmo país que reúne 1.133 cidades em condições de pleno emprego, há outras 32 com taxas de desocupação acima de 20%, apontam os dados do Censo 2010. É fato que elas são uma minoria, representando menos de 1% dos 5.565 municípios brasileiros. Mas, sem dúvida, são um retrato das desigualdades regionais que, mais uma vez, persistem, a despeito do crescimento econômico dos últimos anos. Enquanto mais da metade dessas cidades está no Nordeste, o Sul não tem sequer um município com taxa de desemprego tão elevada.
— O mercado de trabalho no Sul é mais organizado, num reflexo do desenvolvimento econômico dos seus estados — resumiu João Saboia, professor do Instituto de Economia da UFRJ.
Campo Alegre do Fidalgo, no interior do Piauí, ostenta a pior taxa de desemprego do país, de 41,82%, de acordo com o último Censo. Na pequena cidade, moram cerca de 4.600 pessoas, boa parte vivendo na zona rural. A lista dos municípios com elevada desocupação passa ainda por outros estados do Nordeste e Norte do país. Pernambuco contribui com três nomes, sendo que o pior cenário aparece em Araçoiaba, a 60 quilômetros de Recife. Lá, a desocupação atinge taxa de 23%.
Em Araçoiaba, oferta de trabalho é coisa rara na cidade, onde só há um grande empregador: a prefeitura. O município, que é dono do pior Índice de Desenvolvimento Humano da Região Metropolitana, não tem uma só indústria. Seus 21 mil habitantes vivem do pequeno comércio (cerca de 60 lojas) e da agricultura de subsistência.
Para o secretário de Infraestrutura e Habitação de Araçoiaba, José Rinaldo Silva Rufino, os números do desemprego levantados pelo IBGE podem estar defasados, por causa da nova realidade econômica vivida em Pernambuco, onde estão sendo implantados polos de desenvolvimento na Região Sul (como o complexo industrial de Suape) e Região Norte do estado (que vem sendo preparada para sediar a sua primeira indústria automobilística, a Fiat). Ele afirma que o dinamismo da economia pernambucana começa a mudar o marasmo em que Araçoiaba vivia antes mergulhada.
— Temos três usinas próximas que empregam mais durante os períodos de colheita, mas há trabalho na entressafra, quando precisam de lavradores para o trato cultural nos plantios de cana. Muitas pessoas da cidade estão trabalhando na construção do presídio de Itaquitinga (cidade vizinha). E há muita gente empregada na construção da Hemobrás (na cidade de Goiana) e de indústrias que vêm se instalando no porto de Suape (no litoral sul pernambucano). São soldadores, montadores, pedreiros e serventes.
Diariamente, quatro ônibus deixam a cidade para conduzir esse pessoal aos seus postos de trabalho, afirma ele. Alguns dos que têm empregos, como os filhos de Maria de Lourdes Gomes, só vêm a Araçoiaba nos fins de semana:
— Eles procuraram muito emprego por aqui. Não acharam nada, foram tentar lá em Suape. Como a passagem de ônibus é cara, ficam por lá mesmo — afirma a pensionista, referindo-se a Severino Augusto e José Augusto.
Ex-morador de favela, Gerson de Freitas, de 35 anos, mora há dois anos em uma casa de alvenaria, cedida pelo poder público e construída em um terreno doado por uma usina. Ele tem cinco filhos e a mulher está doente. Analfabeto, nunca teve carteira assinada e até já desistiu de procurar emprego:
— Tem dia que trabalho como moto-táxi com uma moto emprestada por um amigo. Em outros, preparo lambedor (xarope para tosse) para vender em casa. Mas, para fazer o lambedor, fico feito o menino da abelha, tenho que ir para a mata procurar mel — disse Freitas, acrescentando que a carteira profissional nunca teve serventia. — É tão velha que até a foto já se apagou. Mas não tem nada de emprego escrito.
Prefeitura, maior empregador
Além das 60 lojas que existem na cidade (mercadinhos, farmácias, armarinhos), das lavouras de subsistência e do corte de cana durante os quatro meses de moagem, os moradores de Araçoiaba contam apenas com os 737 empregos da prefeitura, dos quais 419 são efetivos. Os demais — comissionados ou temporários — são recrutados na cidade, cuja receita mensal (incluindo os repasses) chega a R$ 2,95 milhões.
Taxas de desemprego muito elevadas, acima de 20%, são a realidade de inúmeras cidades da Europa, em especial na Grécia e na Espanha. Entretanto, os cenários são bem distintos. Enquanto as cidades brasileiras sem emprego são marcadas por boa parte da população sem sequer o nível médio, o contingente de desempregados na zona do euro tem alto nível de qualificação.
Especialistas lembram, contudo, que o país ainda colhe no mercado de trabalho as benesses do crescimento econômico dos anos recentes.
— O mercado de trabalho é um ponto de orgulho da economia brasileira. A fotografia, ainda que tenha sido tirada em 2010, permanece boa. Foi o emprego que segurou os efeitos da crise internacional e, agora, passado o vale, quando não houve demissões, mas menos contratações, é de esperar que o país consiga sustentar esse indicador — afirmou Maria Andreia Parente, economista do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).


Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/economia/o-lado-do-emprego-no-brasil-5698285#ixzz22ltLwUOp
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domingo, 5 de agosto de 2012

Novo vicio

Depois de beber, ja tive a fase de mandar msgs, depois a de ligar pros outros. Agora to numa fase nova: postar fotos no Istagram.

Qual a prox???

GaD

O Graças a Deus é realmente um fos lugares mais arrumados de Beagá. Preço justo, lugar agradavel.

Comemoração antecipada do anuversário da Ana! G6, economistas e o Super Mojito :)

A sensação foi:
A- "abençoa senhor, as famílias, amem" no parabens
B- Paco, eu to em cima to embaixo
C- dança das mãos, com 4 participantes e nivel hard de dificuldade

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Heineken lança cerveja Desperados com tequila e limão


Produto estará em 300 pontos de venda de São Paulo e Curitiba a partir deste mês e foca nos consumidores jovens, de 18 a 24 anos

Cerveja Desperados com tequila e limão lançada pela Heineken
Rio de Janeiro - A Heineken lança este mês no Brasil a cerveja Desperados, com tequila e limão. No primeiro momento, o produto será distribuído em 300 pontos de venda de São Paulo e Curitiba e quer atingir jovens de 18 a 24 anos.
A cerveja foi incorporada ao Grupo Heineken em 2010 e está em 50 países da Europa, Ásia e América do Norte. Na América Latina, o Brasil é o primeiro a receber a bebida.
A escolha do país foi feita após pesquisas, em que 90% dos entrevistados classificaram o produto como “perfeito para mim”, seja em relação ao líquido, embalagem, comunicação ou posicionamento.
O preço sugerido para night clubs é de R$ 12,00. O grupo sugere que em bares ela seja comercializada por R$ 7,00, em lojas de conveniência por R$ 6,00 e em supermercados por R$ 3,50.

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Bolívia não terá Coca-Cola e McDonald's a partir de dezembro


O governo da Bolívia anunciou no último fim de semana que a filial da Coca-Cola no país será retirada do país em 21 de dezembro. No mesmo dia, o McDonald's deixará de operar após 14 anos de tentativas fracassadas de entrar na cultura boliviana.
O chanceler David Choquehuanca afirmou que a decisão "estará em sintonia com o fim do calendário maia e será parte da festa para celebrar o fim do capitalismo e o começo da cultura da vida".
"O 21 de dezembro é o fim do egoísmo, da divisão. Esse dia tem que ser o fim da Coca-Cola e o começo do mocochinche [suco de pêssego]. Os planetas se alinham depois de 26 mil anos. É o fim do capitalismo e o começo da vida comunitária", disse, em ato com o presidente Evo Morales.
A decisão é argumentada pelo governo pelos males provocados pelo refrigerante à saúde dos consumidores, incluindo associação a infartos, derrames e câncer caso haja consumo diário.
No dia 13, Morales já havia prometido o fim da bebida ao anunciar uma festa em uma ilha no lago Titicaca, na fronteira entre a Bolívia e o Peru, no dia 21 de dezembro, que celebra o fim do calendário maia.

CULTURA
Ao contrário da Coca-Cola, o McDonald's decidiu sair por não conseguir se incorporar aos hábitos alimentares bolivianos, após 14 anos de tentativas. A empresa fechará seus oito restaurantes após ter prejuízos em suas operações em mais de uma década, caso único entre as filiais da rede de lanchonetes.
O país andino ainda conserva a culinária tradicional e dá valor ao rito de preparo da comida, que inclui a compra dos alimentos, a decisão de comer, a convivência durante o preparo, a forma em que se apresentam e a maneira que são servidos.
O prato é avaliado por aspectos como gosto, preparo, higiene e sabor adquirido com tempo de preparação, este último fundamental para o fracasso do McDonald's.

Conectividade

Daí você precisa descobrir uma coisa muito inusitada: como ocorre a devolução de produtos lácteos em cooperativas de leite e distribuidores de revista..

Sem muito pretensão coloquei no Facebook: AJUDA: preciso do contato de alguem que trabalhem em empresa de Jornal ou Revista! Ou entao de distribuidor de jornal/revista... E de alguem que trabalhe em cooperativa de leite!! Alguem conhece????? :)


Num é que o pessoal tá ajudando???Já tem 19 mensagens, incluindo dois contatos por email e um por telefone!!!

Conectividade é o que há!!!

Noites de inverno


Em julho e agosto, calor humano é mais que uma metáfora

IVAN MARTINS
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IVAN MARTINS É editor-executivo de ÉPOCA (Foto: ÉPOCA)
É difícil sair da cama nas manhãs de julho. Do lado de fora do edredom há um mundo gelado e hostil. Do lado de dentro, calor e aconchego. Em outras épocas do ano isso talvez não fique tão claro, mas, no inverno, estar sozinho é uma forma diária e refinada de castigo. E a companhia do outro, que às vezes pode parecer supérflua, revela-se como coisa física e essencial. Em julho e agosto, calor humano é mais que uma metáfora. 
Tenho a impressão, às vezes, que a nossa vida é composta de essencialidades subestimadas. O calor do corpo humano no inverno é uma delas. O prazer da companhia do outro quando se chega em casa, é outra. Sentar no sofá e ver televisão quase em silêncio, falando sobre as miudezas do dia. Ir mais cedo para a cama pelo prazer de estar lá, lendo ou namorando. Saltar da cama com pressa, para aproveitar, a dois, uma manhã ensolarada. Dormir até mais tarde, sem urgência alguma, para desfrutar um sábado friorento. 
 
A gente não aproveita o suficiente essas coisas, eu acho. Um tempo enorme do nosso convívio é gasto ralhando com o outro sobre que ele ou ela fez de errado, ou se queixando do que o mundo lá fora fez com cada um de nós. Outra parte imensa do nosso tempo é perdida em tristezas sem razão, em suspeitas sem fundamento, em angústias de origem desconhecida, em culpas que nos perseguem como assombrações sem solução. A gente não gasta tempo suficiente com o corpo do outro, com o coração doce do outro, com a menta inquieta e criativa do outro. A gente não aproveita o outro como poderia, eu acho. 
Talvez haja armadilhas na nossa natureza humana que atrapalham na hora de ser feliz. Uma delas é o hábito, associado ao desprezo pelos detalhes. O que está lá todo dia deixa de nos fazer feliz. Pequenas coisas que fazem a diferença na nossa vida também podem passar sem ser notadas. Algo dentro de nós clama por grandeza e novidade, de preferência todos os dias. Como se fosse possível, ou mesmo desejável, viver uma aventura a cada 24 horas, reinventar a vida a cada volta do relógio. Mas é isso que uma parte de nós reclama – ela quer novidades, confusão, heroísmo e lágrimas. Exige movimento e agitação como sinônimo de vida. O cotidiano suave e amoroso é percebido como a chatice a ser combatida.
Às vezes eu acho que isso é um problema neurológico. Ele impede centenas de milhões de pessoas de ficarem em paz com as coisas legais que estão ao redor delas. Em lugar do gozo, o problema neurológico instala dentro de nós os mecanismos da inquietação e da queixa. Em lugar da satisfação, a angústia. Evidentemente isso não acontece com todo mundo, mas quando gente assim você conhece? Quanto de você mesmo não é assim? 
Talvez seja uma coisa evolutiva. Vai ver que a felicidade – ou qualquer estado de contentamento e acomodação – é negativa no longo prazo. Vai ver que nós, humanos, precisamos estar ansiosos o tempo inteiro para nos mantermos vigilantes, atentos contra os riscos. Sempre em movimento, sempre famintos. Como está na moda explicar tudo com base na evolução da espécie, fica aqui a minha modesta contribuição para o darwinismo social: haveria um gene da infelicidade que zela pela sobrevivência de longo prazo da nossa espécie? 

Na verdade, acho os determinismos biológicos bobagem. Tenho a impressão de que nós, coletivamente, escolhemos como queremos viver. É cultural. Nas últimas décadas, muitos de nós preferimos a inquietação em oposição à quietude. Nós escolhemos viver como bichos insatisfeitos em vez de viver como bichos felizes. Não nos educamos para apreciar as felicidades tranquilas da vida cotidiana. Talvez porque elas nos assustem. Talvez porque uma vida serena e repetida nos lembre estagnação e morte. Talvez porque os nossos valores sejam o do grande romance ocidental, em que sexo, romance e aventura culminam em uma morte dramática e prematura, como em Romeu e Julieta. 
Qualquer que seja a razão, não nos preparamos para apreciar os prazeres cotidianos. Estamos sempre olhando para fora de um jeito sonhador, ou para dentro de uma forma exageradamente crítica. Assim cultivamos a insatisfação e a infelicidade. Assim perdemos os melhores momentos da vida dos outros, e da nossa. 

Por isso eu gosto tanto da parte de dentro do edredom nas noites de inverno. Ela confere uma dimensão material e concreta aos nossos compromissos. Ela traduz, de forma gostosa e protetora, as nossas opções afetivas. Mostra que somos capazes de escolher, partilhar e proteger. Que sabemos apreciar o prazer e o conforto do nosso convívio. Ela é uma metáfora quentinha de uma parte importante e subestimada de nós – aquela que precisa do outro, que gosta do outro, que tem prazer na presença e no convívio com o outro. Aquela parte de nós que prefere ser feliz a reclamar.
(Ivan Martins escreve às quartas-feiras)