segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Lembrar para esquecer


O que fazer com a memória? Documentário acompanha a viagem de quatro filhos em busca da vida do pai, um sobrevivente do Holocausto, nos campos de concentração nazistas

ELIANE BRUM
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Eliane Brum, jornalista, escritora e documentarista (Foto: ÉPOCA)ELIANE BRUMJornalista, escritora e
documentarista. Ganhou mais
de 40 prêmios nacionais e
internacionais de reportagem.
É autora de um romance -
Uma Duas (LeYa) - e de três
livros de reportagem: Coluna
Prestes – O Avesso da Lenda
(Artes e Ofícios), A Vida Que
Ninguém Vê
 (Arquipélago
Editorial, Prêmio Jabuti 2007)
e O Olho da Rua (Globo).
E codiretora de dois
documentários: Uma História
Severina e Gretchen Filme
Estrada.
elianebrum@uol.com.br
@brumelianebrum 
- Alô, é do sanatório? Sim, David Fisher fugiu. Mas eu estou aqui com ele. Querem fazer o favor de buscá-lo? Ele está visitando campos de concentração. É sua ideia de férias.
A brincadeira é feita por um dos irmãos do cineasta israelense David Fisher. Neste momento, David e seus três irmãos estão numa van a caminho dos campos de concentração onde seu pai, Joseph, foi confinado pelos nazistas na Segunda Guerra Mundial. É o início da viagem, e eles fazem muitas piadas sobre o fato de terem aceitado o convite do irmão maluco, abandonado suas próprias famílias e iniciado as férias mais estranhas da sua vida. Assim começa “Six million and one” (Seis milhões e um), filme exibido na mostra competitiva do IDFA, um dos festivais de documentários mais importantes do mundo, realizado em Amsterdã, na Holanda, de 16 a 27 deste mês.
O filme toca numa questão em aberto: como a segunda (ou terceira) geração de sobreviventes do Holocausto – ou de qualquer outra tragédia humanitária – lida com a memória. O que se faz com o horror? É possível esquecer? Ou é possível fingir que esquecemos? Ou ainda: como esquecer aquilo que só conhecemos como lembrança dos pais (ou avós)? Há uma diferença entre aquilo que esquecemos porque pode ser lembrado e aquilo que fingimos esquecer porque não podemos lembrar. E por isso ecoa dentro de nós dia após dia.
Os irmãos de David acreditavam que o melhor jeito de lidar com a memória era não lidar. Mas um dia David ligou para suas casas e convidou-os para uma viagem ao passado presente do pai. David tem a autoridade do irmão mais velho. E por esta ou por outras razões naquele momento inconfessáveis, eles aceitaram o convite. Irônicos, afetuosos, rabugentos, mas sempre íntimos, os quatro adultos com rugas no rosto e cabelos rajados de cinza iniciam a jornada rumo ao horror que também os constituía sem jamais ter sido pronunciado.
Enquanto vivera, o pai quase nada havia contado sobre sua vida nos campos de concentração. Apenas os lugares onde esteve e pouco mais. Mas, dois anos antes de morrer, ele escreveu suas memórias num caderno. É o legado do pai. E é este diário que agora queima nas mãos dos filhos. E que David foi o único a ler. “Por que eu preciso passar por isso?”, reclama a irmã, única mulher no grupo. “Eu não preciso visitar campos de concentração. Sempre carreguei isso dentro de mim. Isso sempre esteve lá, no nosso café da manhã.”
Por quê? É o que eles descobrem nessa saga familiar. Em um dos momentos mais belos do filme, todos estão sentados dentro do túnel construído pelos judeus para ser uma fábrica subterrânea de fuselagem para aviões nazistas. É um lugar claustrofóbico e insalubre, e nas paredes há marcas das unhas dos prisioneiros. Pouco antes, o responsável pelo lugar havia dito: “Não é possível que seu pai tenha sobrevivido dez meses cavando esse túnel. A sobrevivência média dos judeus que cavavam era de uma semana”.
O pai sobreviveu a isso e a bem mais do que isso. E ali, no túnel, já varridos por sentimentos contraditórios, os filhos fazem a catarse que pertence a todas as famílias – e que, afinal, é a prova de que sobreviveram. Falam de desamor, de ciúmes, de desamparo, de rivalidades, de raiva. Brigam, choram e riem. E então é preciso sair do túnel e seguir adiante.
Por que é importante lembrar? Essa é a pergunta que diz respeito não só a David e a seus irmãos, mas a todos nós. Por causa dessa indagação universal o filme tem lotado as salas de cinema de Amsterdã. Tudo o que é vergonhoso ou aterrorizante costuma ser relegado ao esquecimento. “É melhor não mexer nisso”. Ou “não vamos falar disso”. Ou ainda o clássico “com o tempo você esquece”. Ou o pior de todos: “não aconteceu”. A verdade, como anos atrás me ensinou uma judia que fugiu da Alemanha nazista e teve a mãe incinerada num campo de concentração, é que, “com o tempo, a gente não esquece”.
Não há como esquecer, é o que também afirmam os veteranos americanos com quem David conversa para saber como foi o dia da libertação. “Nós não sabíamos que havia um campo de concentração ali. Então, quando encontramos os judeus presos lá dentro, sem água nem comida, eles nos cercaram, nos agarraram. Eles tinham fome. E nós demos comida. E demos cigarro porque pediram. E pensávamos que fumariam o cigarro, mas eles comeram o cigarro”, conta o velho soldado. Nesse momento, o queixo do seu companheiro de tropa começa a tremer e logo todo o seu rosto treme. “Nós demos comida, e eles morreram duas horas depois porque o estômago deles não suportava tanta comida. Eu me sinto culpado porque dei comida, e eles morreram.”
É sobre a capacidade humana de produzir horror que o pai de David escreve. “Às vezes, um nazista entrava no dormitório e acordava um de nós. E escolhia outro, muito maior e mais forte para sentar sobre o peito do mais fraco até que ele morresse asfixiado. Eu fingia que estava dormindo enquanto isso acontecia”, é um dos trechos do diário. Ou: “Dentro do túnel, eles botavam gente puxando a carroça no lugar dos cavalos. Lembro de um pai e de um filho, poloneses. O nazista mandou que o filho chicoteasse o pai, mas o menino se recusou. O pai, temeroso pelo filho, ordenou: me chicoteie bem forte”.
Só há um jeito de esquecer o horror: lembrar. É por saber disso que David empurra os irmãos para uma travessia que lhes permita sair mais vivos do outro lado. Se não lidamos com a memória do horror, seja ele qual for na vida de cada um, ele pulsa dentro de nós como um buraco negro que nos engole de dentro para dentro. O horror fica ali, vagando livremente por cada centímetro de nossa vastidão interna, numa repetição sem fim e sem destino. É por isso que no Brasil é preciso que todos compreendam que o acesso à memória é um direito inalienável de cada ser humano – não como vingança, mas para que se possa deixar de vagar pelo não dito e seguir adiante.
A certa altura do documentário, David reproduz um filme caseiro. É o aniversário de uma criança da família. O pai está lá, batendo palmas e quase sorrindo. Mas o pai não está lá. O pai escreveria no diário depois: “Como não podemos esquecer, somos todos atores”. Ele também poderia ter dito: “Como não podemos lembrar, somos todos atores”. Joseph Fisher poderia ter sido o “six million and one”, mas não foi. E, como tantos sobreviventes, é consumido pela culpa. “Por que eu?”, é a indagação incessante que faz a si mesmo.
Só no parapeito da morte o pai sente-se pronto para dar um lugar para o horror. Pela memória do único texto que precisa interpretar, o pai finalmente pode deixar de atuar. O pai então escreve o diário – e transforma o monstro que o come por dentro em palavra escrita. Mas, para que sua sobrevivência ao Holocausto tenha sido não uma morte, mas uma vida, ele precisa endereçar essa memória. Pois a carta que não chega ao seu destino para ser lida pelo outro não é uma carta, mas um esquecimento sem lembrança. E é assim que o diário chega às mãos de David.
Entre todos os irmãos, David é o único capaz de compreender que precisam percorrer o caminho do pai como filhos. David entende que o pai escreve o diário não apenas para poder esquecer, mas para que os filhos tenham uma chance de lembrar. Se, para o pai, foi um diário, caberia aos filhos encontrar a sua forma de materializar e nomear o inominável. Como disse recentemente o psicanalista Paulo Endo, em uma banca de doutorado na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, numa frase que é para todos nós: “Em vez de ser perseguido pelo trauma, é preciso perseguir o trauma”. É o que David e seus irmãos fazem ao seguir as pegadas do pai.
Para arrancar os pés do passado e avançar rumo ao futuro é preciso antes fazer marca. Essa é a beleza do humano que, se é capaz de produzir tanto horror, também é capaz de criar beleza a partir do horror. O filme exibido hoje nos cinemas do mundo é a marca que permitiu a David e seus irmãos seguirem adiante levando o legado do pai como vida – e não mais como morte. “Six million and one” é uma bela cicatriz.
(Eliane Brum escreve às segundas-feiras)

Trilhas e barcos levam a praias quase desertas no litoral de SP

Praia deserta? Em São Paulo? Soa estranho, mas o estado ainda tem alguns recantos quase inóspitos, visitados por poucos e privilegiados banhistas. Geralmente, o acesso a essas paisagens tranquilas é feito por barco ou trilha. Quem gosta de aventura e busca sossego pode escolher algumas das praias que o G1 listou e ficam a poucas horas da capital paulista.


http://g1.globo.com/sao-paulo/noticia/2011/11/trilhas-e-barcos-levam-praias-quase-desertas-no-litoral-de-sp.html

domingo, 20 de novembro de 2011

Dúvida

Será que esse deveria ser o caminho???


sábado, 19 de novembro de 2011

A moda dos nomes próprios



Os tempos mudaram. Nenhum bebê nasce hoje e ganha o nome de Maria das Dores ou Maria do Perpétuo Socorro. E Marlene? E Ivonete? Qual bebê nesses tempos modernos é registrado com o nome de Geraldo ou Moacir? Mas um dia já foram. Como havia Das Dores e Socorro nesse Brasil de meu Deus. Socorro!
Tudo era mais simples, bastava dizer Jean-Michel para saber que o cara era francês, por exemplo. Helmut era alemão, Giorgio era italiano, Aiko, japonês, e George, americano, não tinha erro. Não tinha Philippos Petsalnikos que não fosse grego. Não existia Martinho finlandês, Sebastião sueco nem Valdir norueguês. Todo português era Manuel ou Joaquim, com certeza.
Nomes vão e voltam. Entram e saem da moda. Mas venhamos e convenhamos que os brasileiros estão exagerando nos nomes estrangeiros. Como tem nascido brasileirinho e brasileirinha chamados Ronald, Johnny, Giovanna, Giulia, Michelle e Daiani. Assim mesmo, Daiani.
Como era fácil se chamar Roberto. Era só dizer Roberto e pronto. Hoje a mocinha chega e diz o nome:
- Giulianna!
Aí começam as perguntas:
- Com G ou com J?
- Com um L só?
- Com o N duplo?
Os brasileiros inventaram um tal de duplo N, duplo P, duplo L, sem contar que reinventaram o Y. Myriam com Y, Nayr com Y e Lya com Y. Tudo isso sem consultar o numerólogo, aquele capaz de transformar o bom e velho Jorge Ben em Ben Jor.
O mundo da bola é um caso a parte. A seleção de nomes brasileiros em 1958 era Edson, Manoel, Valdir, Djalma, Nilton, Joel. Hoje os brasileirões são outros: Neymar, Madson, Liedson, Evaeveson, Willamis, Sheslon, Mithyuê e Maicosuel. Sem contar o Gerley, o Wendel e o Deivid, é claro.
Pais de meninos que viraram jogadores de futebol gostam de inventar e homenagear. Não temos o Fábio Junior, o Fernando Henrique, o Fagner e o Odivan, uma homenagem àquela velha canção do Roberto? Tudo isso sem contar o Pato, o Ganso, o Leão e outros bichos.
Mas não são só esses pais que andaram inspirados na hora de registrar os filhos. Tem nascido muito Maicojacson e muita Laididai por aí. Outro dia vi um Rolistone dando entrevista na televisão e já teve até deputado chamado Ronivon.
Lembra na era hippie a quantidade de Orvalho, Lua, Amora, Brisa e Sol? Claro que já surgiu muito Gilmar na Copa de 58, Amarildo na Copa de 66 e Rivelino na Copa de 70. Como nasceu Romário na Copa de 94. Mas na última, sinceramente, não há notícia de nenhum registro de Dunga.
Já perceberam que gente pobre não quer mais chamar Sebastião, Valdir ou Jurandir? Nem tampouco Raimunda, Filomena ou Cindalva? Agora é Maicon, Wellerson, William e Davidson. Os nomes que antes eram de pobres, hoje viraram de rico. É só dar uma espiada nas revistas de celebridades. Todo dia nasce um João, um Pedro, um Joaquim. Joaquim só na semana passada foram três.
O caso mais engraçado de tudos aconteceu em Minas Gerais, e não é lenda. Registraram uma menininha com o nome de Elis Chamela de Maria.
- Como vai se chamar o bebê, perguntou a moça do cartório.
E o caipira não titubeou. Ao invés de dizer claramente “Maria, porque eles chamam ela de Maria”, ele disse bem mineiramente:
- Ah, elis chamela de Maria…
E assim nasceu uma brasileira chamada Elis Chamela de Maria.

The End of Italy (?)

Why should we be surprised Italy is falling apart? With dozens of languages and a hastily made union, it was barely a real country to begin with.

BY DAVID GILMOUR | NOVEMBER 15, 2011

Foreign Policy

http://www.foreignpolicy.com/articles/2011/11/15/end_of_italy%20?page=full

Italy is falling apart, both politically and economically. Faced with a massive debt crisis and defections from his coalition in Parliament, Prime Minister Silvio Berlusconi -- the most dominant political figure in Rome since Benito Mussolini -- tendered his resignation last week. Yet Italy's problems go deeper than Berlusconi's poor political performance and his notorious peccadilloes: Their roots lie in the country's fragile sense of a national identity in whose founding myths few Italians now believe.

Italy's hasty and heavy-handed 19th-century unification, followed in the 20th century by fascism and defeat in World War II, left the country bereft of a sense of nationhood. This might not have mattered if the post-fascist state had been more successful, not just as the overseer of the economy but as an entity with which its citizens could identify and rely on. Yet for the last 60 years, the Italian Republic has failed to provide functioning government, tackle corruption, safeguard the environment, or even protect its citizens from the oppression and violence of the Mafia, the Camorra, and the other criminal gangs. Now, despite the country's intrinsic strengths, the Republic has shown itself incapable of running the economy.

It took four centuries for the seven kingdoms of Anglo-Saxon England to finally become one in the 10th, yet nearly all the territories of the seven states that made up 19th-century Italy were molded together in less than two years, between the summer of 1859 and the spring of 1861. The pope was stripped of most of his dominions, the Bourbon dynasty was exiled from Naples, the dukes of central Italy lost their thrones, and the kings of Piedmont became monarchs of Italy. At the time, the speed of Italian unification was regarded as a kind of miracle, a magnificent example of a patriotic people uniting and rising up to eject foreign oppressors and home-bred tyrants.

However, the patriotic movement that achieved Italian unification was numerically small -- consisting largely of young middle-class men from the north -- and would have had no chance of success without foreign help. A French army expelled the Austrians from Lombardy in 1859; a Prussian victory enabled the new Italian state to acquire Venice in 1866.

In the rest of Italy, the Risorgimento (or Resurgence) wars were not so much struggles of unity and liberation as a succession of civil wars. Giuseppe Garibaldi, who had made his name as a soldier in South America, fought heroically with his red-shirted volunteers in Sicily and Naples in 1860, but their campaigns were in essence a conquest by northern Italians of southern Italians, followed by the imposition of northern laws on the southern state known as the Kingdom of the Two Sicilies. Yet the southern city of Naples did not feel liberated -- only 80 citizens of Italy's largest city volunteered to fight for Garibaldi -- and its people soon became embittered that the city had exchanged its role as the 600-year-old capital of an independent kingdom for the status of a provincial center. Today, its status remains reduced, and southern GDP is barely half what it is in the regions of the north.

United Italy skimmed through the normal painstaking process of nation-building and became a unitary state that made few concessions to local sentiment. Take Germany, by comparison: After the unification of 1871, the new Reich was ruled by a confederation that included four kingdoms and five grand duchies. The Italian peninsula, by contrast, had been conquered in the name of the Piedmontese King Victor Emmanuel II and remained an aggrandized version of the kingdom, boasting the same monarch, the same capital (Turin), and even the same constitution. The application of Piedmontese law over the peninsula made many of the kingdom's new inhabitants feel more like conquered subjects than a liberated people. Violent uprisings throughout the southern regions in the 1860s were savagely repressed.

Italian diversity has an ancient history that could not be suppressed in a few years. In the fifth century B.C., the ancient Greeks spoke the same language and thought of themselves as Greeks; Italy's population at the time spoke about 40 languages and had no common sense of identity. The diversity became even more pronounced after the fall of the Roman Empire, when Italians lived for centuries in medieval communes, city-states, or Renaissance duchies. This communal spirit is still alive today: When you ask citizens of, for example, Pisa how they identify themselves, they are likely to answer first as Pisans, then as Tuscans, and only after as Italians or Europeans. As many Italians cheerfully admit, their sense of belonging to the same nation becomes apparent only during the World Cup, when the Azzurri, the members of the national soccer team, are playing well.

Language is another barometer of Italy's fractiousness. The distinguished Italian linguist Tullio De Mauro has estimated that at the time of unification, just 2.5 percent of the population spoke Italian -- that is, the Florentine vernacular that evolved from the works of Dante and Boccaccio. Even if that is an exaggeration and perhaps 10 percent understood the language, it still means 90 percent of Italy's inhabitants spoke languages or regional dialects incomprehensible to those elsewhere in the country. Even King Victor Emmanuel spoke in the Piedmontese dialect when he wasn't speaking his first language -- French.

In the euphoria of 1859 to 1861, few Italian politicians paused to consider the complications of uniting so diverse a collection of people. One who did was the Piedmontese statesman and painter Massimo d'Azeglio, who is reported to have said after unification, "Now we have made Italy, we must learn to make Italians."

Alas, the chief means chosen by the new government to achieve this aim was an effort to turn Italy into a great power -- one that could compete militarily with France, Germany, and Austria-Hungary. This attempt, however, was bound to fail because the new nation was so much poorer than its rivals.

For 90 years, culminating in Mussolini's fall, Italy's leaders were determined to create a sense of nationhood by turning Italians into conquerors and colonialists. Vast sums of money were therefore spent on expeditions to Africa, often with disastrous results; at the Battle of Adowa in 1896, in which an army was wiped out by an Ethiopian force, more Italians were killed in a single day than in all the wars of the Risorgimento put together. Although the country had no enemies in Europe and no need to fight in either of the world wars, Italy joined the fighting in both global conflicts nine months after they had begun when the government thought it had identified the winner and extracted promises of territorial rewards.

Mussolini's miscalculation and subsequent downfall destroyed Italian militarism and at the same time punctured the idea of Italian nationhood. For 50 years after World War II, the country was dominated by the Christian Democrats and the Communists. These parties -- which took their cue from the Vatican and the Kremlin, respectively -- were not interested in instilling a new sense of national identity to replace the old one.

Postwar Italy was in many ways a great success. With one of the highest growth rates in the world, it became an innovator in such peaceful and productive fields as film, fashion, and industrial design. Yet the economic triumphs were uneven, and no administration was able to reduce the disparities between north and south.

The government's political and economic failures are not the only cause of the malaise that now threatens Italy's survival. Some flaws in the national structure were inherent in the circumstances of the country's creation. The Northern League -- Italy's third-largest political party, which suggested that the country's 150th birthday in March should be cause for mourning rather than celebration -- is not simply a bizarre aberration. Its attitude to the south, xenophobic and even racist as it sometimes is, demonstrates the truth that Italy has never felt itself to be a properly united country.

The great liberal politician Giustino Fortunato used to quote his father's view that "the unification of Italy was a sin against history and geography." He believed that the strengths and civilization of the peninsula had always been regional and that a centralized government would never work. Now he looks more prescient by the year. And if Italy has a future as a united nation after this crisis, it must accept the reality of its troubled birth and build a new political model that takes account of its intrinsic, millennial regionalism -- if not as a collection of republican communes, hilltop duchies and principalities once more, then at least as a federal state that reflects the essential features of its past.

David Gilmour is a British historian and the author of award-winning biographies of George Curzon, Rudyard Kipling, and Giuseppe di Lampedusa. His most recent book, The Pursuit of Italy: A History of a Land, Its Regions, and Their Peoples, was published this month.